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6 Setembro, 2010

O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, manifestou hoje disponibilidade para uma alteração da estrutura acionista da EDA (Eletricidade dos Açores) que retire a maioria do capital à região, mas afastou qualquer iniciativa governamental nesta legislatura.

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“Não tenho nenhum preconceito relativamente à estrutura acionista. Não está prevista de imediato qualquer alteração sensível, mas é uma questão que não deve estar afastada a médio e longo prazo”, afirmou.

A Região Autónoma dos Açores é o acionista maioritário da EDA, com 50,1 por cento do capital, seguindo-se a ESA (Energia e Serviços dos Açores, SGPS), que possui 39,7 por cento do capital.

A EDP – Gestão de Produção de Energia, SA tem 10 por cento do capital da EDA, estando os restantes 0,2 por cento nas mãos de pequenos acionistas e emigrantes.

Para Carlos César, não há grande problema se a região perder a maioria do capital, já que a regulação que existe no setor elétrico deixa “pouca margem de decisão” aos acionistas em aspetos fundamentais de gestão.

“Uma posição pública maioritária neste setor não é tão relevante como pode ser noutros”, frisou, assegurando, no entanto, que o executivo açoriano “não tem prevista nenhuma iniciativa” nesta matéria durante a atual legislatura.

Carlos César falava aos jornalistas no final de uma reunião do Conselho de Administração da EDA, em que estiveram presentes os acionistas de referência, durante a qual foi também analisada a possibilidade de a elétrica açoriana, que tem mais de uma dezena de empresas participadas, criar uma Sociedade Gestora de Participações Sociais (SGPS) num quadro reorganização do grupo empresarial.

“A SGPS é um sistema de organização que se afigura adequado. O Grupo EDA é uma estrutura complexa que justifica a criação de uma SGPS”, afirmou Roberto Amaral, presidente da elétrica açoriana, salientando o “acolhimento favorável” que esta medida gerou entre os acionistas de referência.

Na reunião de hoje, Carlos César destacou também a importância dos investimentos que estão previstos para os próximos anos na área das energias renováveis, para os quais o executivo disponibilizará 10 milhões de euros de fundos comunitários.

“Entre 1996 e 2009, a contribuição das energias renováveis para a produção de energia elétrica nos Açores aumentou 10 vezes”, afirmou, revelando que, no primeiro trimestre deste ano, era de 28 por cento.

O objetivo do Governo é atingir 50 por cento em 2014 e 75 por cento de fontes renováveis na produção de energia em 2018.

“Temos que procurar em cada um dos nove sistemas (um por cada ilha do arquipélago) aumentar a potência das energias renováveis para responder com eficácia a estes objetivos”, frisou Carlos César, salientando que esta “é uma aposta fundamental”.

Para Roberto Amaral, atingir 75 por cento de fontes renováveis na produção de energia em 2018 “é uma meta ambiciosa, mas alcançável”, acrescentando que um dos objetivos principais da EDA é “dar aos açorianos uma energia de qualidade, cada vez mais limpa”.

Autor/Fonte: lusa/RA


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Foto de fundo (C) José Borges